segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A Magia Dos Elementais


      Conhecidos também como devas, os elementais são seres da natureza. Apesar de, nos últimos anos, terem adquirido a fama de criaturas boazinhas e protetoras dos animais e da natureza, nem todos são assim. A maioria, na verdade, é bastante neutra e só ajuda um humano se simpatizar com suas ações. Se, pelo contrário, tiverem naturalmente má índole ou não gostarem das atitudes de um humano, são capazes de coisas terríveis.
       Quando falamos de Elementais, lembramos imediatamente dos contos de fadas, das nossas sereias e Mãe D'água em nossa cultura popular. Mas nossas histórias de contos de fadas e folclore geralmente arrastam atrás de si um irremediável final feliz, mostrando como o bem sempre vence o mal. Como já disse, elementais não são exatamente bonzinhos. Em sua neutralidade, chegam muitas vezes a extremos de crueldade e, como possuem uma ética totalmente diferente da nossa, fica muito difícil lidar com eles. Às vezes, mesmo tentando agradá-los, provocamos uma ofensa e perdemos um amigo prestativo sem que saibamos exatamente o porquê. Em algumas histórias narradas em livros sobre encontros de homens com estes seres mágicos, elementais da terra se ofenderam ao receber um tecido de pano fino ou um traje bonito e nunca mais prestaram ajuda naquele local.

      Elementais em geral são atraídos pela arte, por toda forma de arte. Gostam de ver homens pintarem, esculpirem, escreverem e, principalmente, lidarem com a música, sua forma de arte favorita (nos relatos de encontros com Elementais, vemos que boa parte desses encontros se deram quando eles dançavam, cantavam ou tocavam algum instrumento).  Nesse ponto, os artistas levam uma grande vantagem sobre as pessoas comuns. Eles podem sentir aquela força invisível, sensível e poderosa capaz de fazê-los criar grandes maravilhas. Sem essa força, a obra fica sem graça, sem vida, sem viço, uma arte morta. Chamamos essa força de inspiração e muitos a devem a uma Musa. Quem a sente sabe que ela é irresistível e caprichosa, capaz de abandonar até o maior dos artistas bem no meio de seu melhor momento e presentear outro artista com uma única pérola. Quantos cantores você conhece que só fizeram uma música memorável? E quantos autores só conseguiram escrever um único livro?
      
       Os Elementais vivem no que chamamos de Reino Encantado, Mundo Encantado ou Mundo Invisível. Podem aparecer num momento e desaparecer no momento seguinte, deixando a cruel dúvida se realmente os vimos ou se foi um golpe de vista. O Reino Encantado é muito parecido com o nosso, possuindo uma hierarquia semelhante à monarquia. Cada categoria possui um rei e uma rainha, a quem são reportadas as questões do reino. Na literatura pesquisada, não encontrei nada referente à ministros, ou funções intermediárias, embora possamos imaginar facilmente que existam nobres e plebeus. A vida é bastante justa no reino, não existindo pobreza, pois os seres encantados tiram da natureza tudo de que precisam.
          Por viverem em total harmonia com a natureza, os elementais agem como seus guardiões, hostilizando qualquer um que tente destruí-la. Infelizmente, parece que ninguém consegue se equiparar ao homem em poder destrutivo. Com a destruição do meio ambiente, perdemos milhares de animais, plantas, árvores e, é claro, elementais.
           Apesar de imaginarmos que os elementais se afastariam cada vez mais dos homens, em virtude da destruição causada irremediavelmente por ele, o contrário vem acontecendo. Os contatos entre seres encantados e seres humanos vêm aumentando, e embora algumas pessoas pensem que isto aconteça devido ao estreitamento do nosso habitat, devemos esse contato ao momento em que vivemos. Os anjos retornaram para nossas vidas, e eles são os generais dos elementais. Com a proximidade do novo milênio, a Nova Era, como chamam, tornou-se fundamental entrarmos em equilíbrio com as forças do Alto. Como antes, Deus enviou novamente seus anjos, e estes enviam os elementais quando sentem que alguém merece a ajuda da natureza.
          Antigamente, os Rosacruzes se utilizavam do poder dos elementais e Paracelso escreveu muito sobre estes seres da natureza: Durdales ou Dryadas, Salamandras ou Acthnici, Ondinas ou Melosinae, Sildos ou Nenufareni, Gnomos ou Pigmeus.

Elementais no mundo inteiro



    Assim como os Rosacruzes, diversas outras religiões admitem os elementais ou, pelo menos, os mencionam em algum momento de sua história. Na Bíblia, por exemplo, encontramos no Livro de Jasher, LXXX, 19-22. Nesse versículo, lemos a palavra Sulanuth, como uma das pragas lançadas por Moisés ao faraó malcriado. Sulanth é uma categoria de elementais destrutores. Na Pérsia eles eram conhecidos como Daevas, enquanto os gregos os chamavam de Daemons. Na Cabala, tradição judaica, os elementais são situados no mundo de Assiah e são chamados de Klippoth, sendo compostos de quatro classes e atendendo pelo nome genérico de Shedim.
         Os feiticeiros de todas as correntes trabalham diretamente com essas quatro classes. Os egípcios os chamavam de Afrits, algumas etnias da África os denominavam Yawahu, na cultura islâmica são chamados de Djins, no Japão, Oni e na Ásia, Phyes. Os textos sagrados da Índia que contam episódios aparentemente históricos podem ser interpretados como uma viagem feita pela consciência de um homem. No Mahhabharata, Nara (na verdade, Arjuna) luta sozinho contra um exército de Deva-Yonis, categoria de elementais inferiores que todos os aspirantes devem enfrentar em dado momento de seu aprendizado.
         Amuletos (chamados Ishta Kavac) são dados aos discípulos pelos seus gurus para protegê-los nesse momento. Esses amuletos são consagrados a determinado anjo (ou gênio), de acordo com sua utilização. Veja que interessante esse texto da cultura islâmica retirado do livro Amulettes, Talismans Et Pantacles, de J. Marques-Rivière, p. 137, Editions Payot.

    "O Djinn é um ser corporal (Adjâm), formado de um vapor ou de uma chama, dotado de inteligência, imperceptível aos nossos sentidos, que pode aparecer sob diversas formas e realizar penosos trabalhos. O corão (sur. LV, 14) diz que eles foram criados de uma chama sem fumaça e que podem ter parte na salvação. Suas relações com os homens foram oficial e legalmente reconhecidas pelo Islã, e eles participam de certos atos de propriedades, casamento, etc... - Um homem que morre de morte violenta torna-se comumente um Ifrît e assombra o lugar onde faleceu; mas às vezes torna-se também um Djin malfazejo. Uma outra categori de Djûns maléficos está sob a autoridade de Shaitaân ou Iblis, o diabo, o anjo que recusou prosternar-se diante da criação de Deus. Este chefe dos Djûns é hermafrodita; possui órgãos genitais dos dois sexos e fecunda-se a si mesmo".


          Se você quer conquistar a simpatia desses seres fantásticos (os elementais), tenha um bom relacionamento com a natureza em todas as suas formas. Seja gentil e respeitoso, pois uma árvore, uma pedra, um córrego, tudo tem vida própria. Mantenha o coração puro e boa sorte!



Fonte: Texto de Eddie Van Feu, retirado do livro Simpatia Populares, número 23.
Issn 1676-3823   Editora Modus. 


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