sábado, 8 de novembro de 2014

Jurupari, o demônio dos sonhos

 
     Na mais conhecida das duas lendas, Jurupari seria na verdade o deus da escuridão e do mal, que visitaria os índios em sonhos, assustando-os com pesadelos e presságios de perigos horríveis, impedindo, entretanto, que suas vítimas gritassem - o que por vezes causava asfixia. Esta é a mais "provável", já que o significado da palavra Jurupari seja algo como aquele que cala, que tapa a boca, ou ainda aquele que visita nossa rede. Os jesuítas estimularam esta versão da lenda, alguns mesmo dizendo que foram eles que a criaram, sendo imediatamente aceita pelos indígenas, ávidos por uma explicação sobre o porquê de terem pesadelos. Para Câmara Cascudo (o.c.), essa concepção de criatura dos "pesadelos" é um amálgama de lendas europeias e africanas, inventadas pelas amas-de-leite para o controle do comportamento das crianças.
Por vezes é visto como um caboclo medonho que está sempre rindo, aleijão de boca torta, sendo muito o cruel e vingativo. Em algumas culturas indígenas, é descrito como uma cobra com braços; em outras, como um índio comum dotado de grande sabedoria e poderes divinos. Já foi descrito como um bebê invisível, ou simplesmente como uma "presença" (espírito).

      Em alguns dos mitos que envolvem o jurupari, esse herói morre queimado, e das suas cinzas nasce a palmeira de paxiúba (Socratea exorrhiza), uma árvore de cuja madeira são feitos os instrumentos juruparis tocados nesse ritual. Entre os índios tucanos, a flauta (simiômi’i-põrero) é feita da madeira do uacu (Monopteryx angustifolia). Segundo Piedade,é um instrumento sagrado que tem som de trovão, tendo sido utilizado pelos homens para recuperar os instrumentos juruparis que as mulheres haviam roubado.

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