quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Reencarnação familiar - part. 2


Escolhendo os pais


É comum o relato de crianças contando sobre quanto ficaram empolgadas quando escolheram seus pais. Porém, muitos pais perdem a oportunidade de aprender com seus filhos por que foram escolhidos porque não levam a sério as afirmativas dos filhos, considerando-as frutos da imaginação ou apenas mais uma das gracinhas que as crianças dizem.
  Os pais de Jessa, entretanto, não podiam ignorar suas afirmações. Ela falava constantemente sobre a esfera espiritual.

  Não somos uma família religiosa, mas desde os 2 anos Jessa nos conta histórias sobre Deus. Ela disse que, antes de nascer, nos escolheu como pais porque precisávamos de alguém como ela em nossas vidas! Jessa afirmou que, antes de ser filha de Deus, teve outros pais, Michael e Susan, que morreram num incêndio. Então, descreveu uma pequena casa de madeira. Ela fala sem parar sobre a morte e por que não precisamos temê-la. E nos diz pra não ficarmos tristes com o recente falecimento de seus avós porque eles estão num lugar lindo e sereno.

  A história que se segue é a lembrança pura de uma alma arrependida que agora está no corpo de uma criança de 3 anos. É um exemplo pungente de alguém que voltou para reparar o mal que causou anos atrás. Numa conversa telefônica, sua mãe, Carrie, me descreveu o que aconteceu:

Eu estava lendo quando Amanda chegou e, de repente, disse: "Mamãe, você se lembra de muito, muito tempo atrás, antes de você nascer?" Respondi que não, deixando o livro de lado para dar a Amanda toda a minha atenção. Com a voz séria, ela me informou, da maneira mais casual possível: "Eu matei você!"
   Sem demonstrar surpresa ou descrença, perguntei porque ela havia feito isso e ela respondeu: "Eu estava com muita raiva de você". O rosto de Amanda tinha uma expressão triste. Ela se aproximou e se encolheu no sofá, perto de mim. Pedi que me contasse como me matou. "Com uma espingarda". Eu não esperava uma coisa dessas! Fiquei curiosa em saber como ela se sentia sobre tudo isso e perguntei: "Bem, se foi isso o que aconteceu, o que nós estamos fazendo agora?"  A resposta de Amanda me fez gelar: "Mamãe, eu fiquei tão triste por você. Queria ser sua amiga de novo. Nunca mais vou fazer isso. Eu só quero ser da sua família agora". Atualmente, temos um ótimo relacionamento. Mas eu me lembro das várias vezes em que, sem nenhuma razão aparente, Amanda dizia: "Estou tão triste por você. Deixa eu segurar sua mão".  Depois de ela ter dito que me matou numa vida anterior, tudo faz sentido. Acho que ela vem tentando reparar o seu erro e me compensar pelo que fez.
   Lembro-me que no seu livro você disse que os pais podem ajudar uma criança a elaborar as memórias de uma vida anterior. Então, algumas noites depois, quando conversávamos antes da hora de dormir, eu disse de maneira mais casual possível: "Amanda, você se lembra de alguma coisa antes do meu nascimento?" Ela respondeu: "Lembro, mas não quero mais falar sobre isso. Eu era um homem muito mau. E fico muito triste". Procurei tranquilizá-la: "Amanda, se isso deixa você triste, tudo bem. Só quero que entenda que eu a perdoo por qualquer coisa que tenha acontecido e que agora estamos numa outra vida. Eu a amo muito e você é minha filha". Ela me abraçou e disse: "Mamãe, eu amo você demais". Essa foi a última vez que Amanda afirmou se sentir livre por mim.

Juro sem cruzar os dedos

 

   Uma amiga me contou essa história sobre sua filha e sua sobrinha - primas e amigas inseparáveis. Ela nos mostra a força da influência dos guias na determinação da data e do lugar para o retorno da alma.

  Estávamos passando as férias em nossa casa de praia que sempre dividíamos com a família do meu irmão. Rebecca, a babá, chegou da praia balançando a cabeça e dizendo: "Essas meninas vivem no mundo da lua! Vocês precisam ouvir as histórias que elas inventam. Mas como elas me fizeram jurar segredo, não posso contar nada a vocês!"
   Rebecca estava falando sobre minha sobrinha de 7 anos, Sarah, e minha filha, Charlotte, um ano mais nova. Embora, só se vissem duas ou três vezes por ano, eram muito unidas. Na verdade, pareciam mais irmãs do que primas, e eram tão sintonizadas que a comunicação verbal entre elas, era reduzida ao mínimo.
   Curiosa para saber da nova história, fui até a praia. Encontrei as duas vestidas exatamente iguais, com lindos vestidos, fitas de cabelo cor-de-rosa e tênis azuis. Estavam rindo de alguma coisa. Interrompi: "Rebecca disse que vocês estão inventando umas histórias bem interessantes. Talvez, queiram me contar alguma".
   Quando ouviram meu pedido, as duas meninas gelaram. Entreolharam-se e, após um longo minuto de silêncio, Charlotte falou: "Mamãe, isso é uma coisa muito difícil de dizer. Não sei se vou saber explicar. Bem, só eu e Sarah, e agora Rebecca, sabemos disso. Por isso, você tem que prometer que não vai contar a ninguém". Levantei as mãos e jurei segredo absoluto.
   Satisfeita com nosso pacto, Charlotte começou: " Não fique aborrecida, mamãe, porque é uma história esquisita. Quando partimos para essa vida, Sarah e eu devíamos ter vindo juntas. Nós éramos gêmeas e tínhamos que estar na barriga de Tricia (minha cunhada). Mas, um pouco antes da partida, aquela pessoa me segurou. Você se lembra Sarah? Lembra-se do que ela me disse?"
   Com uma expressão séria, Sarah concordou: "Ela disse que você não podia vir. Que ainda não estava na sua hora, mas que ia dar um jeito para que nós ficarmos sempre juntas. Disse que você ia ter de esperar, o porque a deixou muito aborrecida. Mas olha só! Estamos aqui! Ela cumpriu a promessa" As meninas se abraçaram enquanto eu refletia sobre aquela história espantosa. Eu sabia o suficiente sobre reencarnação - e sobre aquele incrível vínculo entre elas - para aceitar a veracidade do relato que acabar de ouvir.

   Após atravessarmos todo o processo de planejamento e escolhermos nossas vidas, por que poucos de nós se lembram desses momentos, como o que foi narrado pelas primas?  Essa amnésia tem um importante objetivo. Segundo Joel Whitton, permite à pessoa embarcar na nova vida sem os impedimentos de ecos confusos de boas e más atitudes do passado. Ele explica que em almas que experimentaram a luz, amnésia também evita anseios e saudades devido a tudo o que foi deixado para trás.
   Algumas vezes, porém, a amnésia não é total, e algumas memórias do mundo espiritual permanecem. Na história que se segue, um menino de quatro anos se lembrou de um momento crucial do processo de planejamento de sua vida e contou ao pai. Muitos anos depois, a informação ajudou esse pai a lidar com a dor de uma tragédia inimaginável.

Lembrando-se do plano

  David Schultz era um lutador aclamado internacionalmente. Vencera o campeonato norte americano quatro vezes e ganhara medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1984. Por causa de seu amor pelo esporte e de seu entusiasmo pela vida, era considerado o embaixador da amizade pelas pessoas que o conheciam em todo o mundo. Mesmo os seus oponentes, principalmente os russos, o consideravam um grande amigo.
   No dia 26 de janeiro de 1996, David foi assassinado. Centenas de pessoas assistiram ao seu enterro. O pai do lutador, Philip, contou essa história em seu discurso de louvor ao filho. Todas as pessoas na sala ouviram em silêncio o relato de Philip, e uma onda de emoção varreu a plateia. Philip escreveu a história completa para que eu pudesse compartilhá-la com você nesse livro:

  Quando minha Nora me ligou para dizer que David estava morto, não pude conter meu choque e minha descrença, perguntando em soluços: "Por quê?" Na minha angústia, eu continuava a repetir a mesma pergunta. Tudo o que eu sabia era que tinha perdido o meu filho, a alma mais preciosa que jamais conhecera.
   Em meio a toda aquela dor, de repente me lembrei de uma história que David me contara quando tinha 4 anos. Na época em que ele compartilhou comigo essa visão especial, eu me senti totalmente envolvido por suas palavras e fiquei admirado pela maneira detalhada e madura que me fez seu relato.
   Jamais me esqueci daquela momento. E agora essa história traz consolo para mim, para a família de David e para a sua multidão de amigos. Estou convencido de que é absolutamente verdadeira e que eu estava destinado a ouvi-la, lembrar-me dela e contá-la hoje,
   Há 32 anos, David e eu caminhávamos de mãos dadas por uma árvore próximo à nossa casa. Lembro-me do infinito prazer que senti naquele momento que passávamos juntos. David tropeçava a todo instante, mas destemido, continuava a caminhar.
   Depois do segundo tropeço, ele segurou minha mão com mais força. Então, parou e, com os olhos bem abertos de admiração e prazer, disse: "Tenho um segredo muito, muito grande para te contar. Mas você tem que me prometer que não vai contar nada a ninguém". Prometi e ele continuou: "E você não pode rir de mim". Eu disse que nunca riria dele. Então, David ficou sério e continuou: "Porque isso aconteceu antes que eu nascesse e aconteceu lá no céu, lá em cima, nas nuvens".
   Minha boca estava aberta em total surpresa e expectativa. Perguntei: "E então, filhinho, o que aconteceu?" David falou: "Bem, você sabe, estavam aqueles 12 homens" Interrompi, incrédulo: "Doze homens? Você contou?" Parecendo mais velho do que seus 4 anos, e com os olhos brilhando de alegria, continuou: "Isso mesmo, 12. Eu contei. Estavam numa roda, como se estivessem sentados em volta de uma nuvem ou de uma mesa. Vi que tinham rostos, mas não tinham corpo. Um deles disse que eu tinha de descer aqui, bem aqui embaixo. Tinha que vir para ser testado".
   Perplexo, disse ao meu filho que aquela história era muito interessante. E perguntei:
"Você vai passar no teste?"  David parou de apertar minha mão e deu um sorriso de satisfação: "Vou, sim!" Fiquei aliviado com a resposta. Caminhamos um pouco mais em silêncio. Então, ele parou e olhou para mim, radiante: "Mas eu não vou ficar aqui por muito tempo".
   Nesse instante, David soltou a minha mão e saiu para brincar, me deixando sozinho, refletindo sobre aquela extraordinária parábola. Nunca mencionei o assunto, como havia prometido. Até agora.
    Não é preciso dizer que essa história me trouxe paz e deu sentido à terrível tragédia que acabávamos de viver. E eu me senti invadido por uma enorme onda de ternura, amor e admiração por meu filho.


*Texto retirado do livro: O Amor Me Trouxe De Volta, de Carol Bowman.
Editora Sextante.

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