quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Reencarnação familiar - part 1


 Quando eu era bem pequena, acreditava que quando um bebê nascia uma sábia cegonha o deixava cair pela chaminé da casa da família que o esperava. Quando cresci, minhas noções infantis deram lugar ao reconhecimento científico de que os bebês nascem do útero de suas mães. Já perto dos 9 anos, recebi de presente um livro que descrevia o processo da reprodução, mas ainda deixava sem resposta um mistério: Por que nascemos em determinada família e não em outra? 
   Busquei nas minhas noções religiosas de um Deus poderoso e onisciente alguma maneira de preencher o vazio de meu entendimento. Imaginei Deus num paraíso cheio de nuvens, escolhendo pais para bebês que, em fila, esperavam para nascer. Concluí que a família em que nascemos é uma questão de sorte decidida por Deus . Porém, essa explicação me deixava inquieta. Não podia entender como Deus escolhia oferecer a algumas crianças um bom lar, enquanto outras eram condenadas a morrer na guerra ou de fome. Havia algo faltando nessa minha interpretação.
  
  Muitos anos depois, continuo fascinada pela questão de como nossa próxima vida é decidida. Mas agora ela é uma reflexão séria e vital para o meu trabalho. Passei muito tempo explorando essa ideia e, quanto mais aprendo, mais me convenço de que existem coisas que podemos saber sobre como escolhemos nossa próxima existência. Não se trata de um mistério impenetrável.
   A questão da escolha é de importância crucial no estudo da reencarnação familiar. Muitas pessoas presumem que não nos é dada a chance de escolher a nossa próxima existência, e essa crença as impede de aceitar a possibilidade da reencarnação em família. Acham que a distribuição de espíritos se dá de maneira aleatória ou que é, no máximo, um processo regido pelas leis naturais do carma ou pelos caprichos de um ser divino. Assim, se o espírito não tem escolha, a chance de um deles retornar para a mesma família é de uma em milhões.
    Mas, em minhas pesquisas, encontrei centenas de casos de retorno na mesma família, o que indica que a reencarnação não é um processo aleatório. Se os espíritos não tivessem escolha, não veríamos nenhum caso desse tipo. Outro sinal desse fato vem das afirmações das próprias crianças. Algumas guardam memórias claras de sua existência "antes de eu ter nascido" e transmitem, com convicção, conceitos diferentes das crenças dos próprios pais no que se refere ao paraíso e à existência antes de nascer.

  Em 1979, Helen Wambach, uma experiente terapeuta de vidas passadas, foi a primeira a publicar relatos sobre o estado de intervida (período entre as encarnações). Em seu livro Vida Antes Da Vida, descreve sua pesquisa sobre o tempo antes da concepção e do nascimento. Ela criou experimentos nos quais várias pessoas foram simultaneamente hipnotizadas e submetidas ao processo de regressão. Logo em seguida, Wambach pediu-lhes que escrevessem as respostas a uma série de perguntas sobre suas memórias antes do nascimento. Entre elas, "Você escolheu nascer?", "Como se sentiu a respeito de começar sua nova vida?", "Já conhecia sua mãe atual?" e "O que aconteceu após a concepção?". Ela compilou e analisou os dados de 750 regressões para construir um modelo do processo que acontece antes do nascimento.
   Na mesma época, o psiquiatra canadense Joel Whitton coletava dados similares a partir dos relatos de seus clientes de terapias de vidas passadas, publicados em 1884 com o título de Vida Transição Vida. Em 1994, o pesquisador e hipnoterapeuta Michael Newton, da Califórnia, publicou Journey Of The Souls (Jornada Das Almas), a culminância de 20 anos de testemunhos de seus pacientes. O objetivo por trás de todas as atividades celestiais relatadas pelos três pesquisadores é o mesmo: Os espíritos estão concentrados em planejar a próxima reencarnação com base nas lições que aprenderam na anterior.

  Baseada nas informações dessa variadas fontes, chego à conclusão de que, embora haja muitas coisas que o nosso cérebro jamais conseguirá compreender, é possível concluir que os espíritos têm algum grau de escolha quanto ao lugar e ao momento em que reencarnar. Quando analisamos os fatores que influenciam a decisão de um espírito, torna-se claro que a opção por continuar um relacionamento dentro da mesma família não só é possível como, algumas vezes, é a escolha mais lógica e natural.


Revisão de vida


  Para o planejamento de uma nova vida, o primeiro passo do espírito é rever e avaliar sua última encarnação. Algumas pessoas relatam que, com a ajuda de guias, o espírito penetra em algo semelhante a um filme em três dimensões ou uma visão holográfica da vida recém - deixada. Cada momento daquela existência é revivido em detalhes sensoriais completos. O espírito percebe instantaneamente as intenções por trás de cada uma das atitudes e sente com total força emocional os efeitos que elas causaram nas outras pessoas. Essas descobertas podem ser prazerosas, tristes, dolorosas - mas são sempre esclarecedoras.
   Por meio desse processo de retrospectiva, o espírito observa e julga suas próprias ações e intenções. Os guias nunca julgam ou condenam. Pelo contrário, eles oferecem todo o seu apoio e podem ajudar abrandando um julgamento por demais severo que um espírito faça de si mesmo, mostrando-lhe seus sucessos e suas falhas no contexto mais amplo de seu desempenho em várias encarnações.

Por que os espíritos retornam?

  Existe uma clara inteligência moral por trás desse processo de revisão de vida. Mas o alto padrão moral não é imposto pelo julgamento dos guias ou de qualquer outra autoridade externa. Ele é autoimposto. O espírito emprega o seu senso inato de certo e errado para avaliar seu desempenho passado.
  A incorporação de um padrão moral parece ser a força motriz por trás da reencarnação, uma vez que o espírito luta para se tornar um ser verdadeiramente amoroso e compassivo. Exercitando sua livre escolha, percorre longos caminhos em direção ao seu objetivo numa existência, tropeça e cai de cara no chão numa outra, machucando a si mesmo e aos outros.
  A beleza desse processo é que ele é autocorretivo. Cada encarnação nos oferece a oportunidade de melhorar nossos erros, por mais cruéis que tenham sido, em vez de sermos eternamente condenados por eles. E também nos confere infinitas oportunidades de compreender o que quer que precisemos aprender sobre a condição humana. Por isso, o objetivo da revisão de vida e do planejamento é escolher uma encarnação com a medida certa de desafios e oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento.
   A primeira decisão é se iremos ou não retornar. Não está determinado que todos os espíritos precisam retornar à Terra, pelo menos não imediatamente. Na amostra de 750 clientes de Helen Wambach, 81% disseram se lembrar entre nascer ou permanecer desencarnado. Embora escolhessem voltar, quase todos encararam com relutância a vida que se aproximava. Viram-na mais como um dever, algo desagradável que tinham que fazer para alcançar o desenvolvimento espiritual. Não é difícil imaginar a relutância do espírito em deixar um lugar de amor incondicional para retornar a um mundo imperfeito onde há lutas e dor. Mas o desejo de iluminação, o anseio por unir-se a Deus, é mais forte que qualquer sofrimento na Terra.
    Após a revisão, se o espírito for capaz de compreender suas próprias necessidades e objetivos e se tomar a decisão de voltar à Terra, estará pronto para começar o estágio de planejamento de sua próxima encarnação. É hora de escolher uma vida.

Planejando uma vida

   Todos os estudos de regressão demonstram que o processo de planejamento é feito em colaboração com os guias espirituais. São eles que apresentam ao espírito as opções para a próxima vida. Suas atitudes anteriores, ou carma, determinam os parâmetros e limites das opções. Com base em seu desempenho passado, o espírito recebe um cardápio de vidas que poderão lhe ensinar as lições que precisa aprender. Ele não tem uma escolha ilimitada. Se fosse esse o caso, por que alguém escolheria uma vida de tragédias e sofrimentos?
   Mesmo com o carma limitando as opções, o espírito ainda pode escolher entre um número enorme de vidas. Esta escolha é muito complexa: a decisão deve considerar não apenas as suas necessidades, mas coordená-las com os planos e as necessidades dos espíritos com os quais se espera unir - principalmente os pais. Embora seja impossível para os limites da nossa compreensão ter uma ideia de todas as variáveis que fazem parte da decisão de encarnar, podemos falar sobre as mais óbvias.
   Em primeiro lugar, é preciso considerar o corpo físico. Os estudos de casos sugerem que os atributos físicos fazem parte do pacote que o espírito seleciona para alcançar o que precisa aprender em sua próxima existência. Escolher um corpo com alguma incapacidade, por exemplo, pode acelerar o desenvolvimento de sua alma pelo fato de lhe dar a oportunidade de aprender a vencer obstáculos ou de se concentrar no desenvolvimento intelectual. Já um belo corpo pode trazer lições sobre vaidade e aparência. A escolha envolve o equilíbrio entre o desejo de estar com certos pais, que tem um pacote genético específico, e a necessidade de ter determinadas características físicas. Talvez o espírito possa influenciar o corpo que se forma, apesar das características genéticas, como sugere os casos de marcas ou defeitos de nascença.
    Os relacionamentos são vitais para o nosso aprendizado e crescimento espiritual. Assim, planejar a reunião com certas almas na vida que se aproxima é de importância crucial. Todos os estudos apontam para o fato de que reencarnamos com quem tivemos alguma proximidade em outras vidas. Para aprender a perdoar, podemos escolher voltar para alguém que nos feriu. Ou vice-versa: podemos voltar para alguém a quem tenhamos ferido para reparar nossos erros e pagar uma dívida cármica.
   Graças à importância dos relacionamentos e à intensidade das relações familiares, é claro que o espírito tem inúmeras razões para retornar à família que acabou de deixar. Acredito ser por este motivo que a reencarnação familiar seja tão comum. A escolha dos pais é a decisão mais crítica do processo de planejamento porque ela determina  o cenário da existência que está por vir. Não é de estranhar que crianças pequenas pareçam se lembrar de ter escolhido seus pais mais do que qualquer outro aspecto de seu período antes de nascer. Elas geralmente dizem aos pais que os escolheram, afirmando que foi por decisão própria ou que foram orientadas por seus guias.

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http://gnomoslevadosduendestravessos.blogspot.com.br/2014/08/reencarnacao-familiar-part-2.html

* Texto retirado do livro: O Amor Me Trouxe De Volta, de Carol Bowman (autora de Crianças e suas vidas passadas). ISBN 978-85-7542-517-6  Sextante.

1 comentários:

Sabe, eu nunca sei por que estou aqui. Eu tenho um padrasto muito chato e arrogante, ele é meio legal, só que eu o conheço a 10 anos e a cada dia que passa só tenho mais desprezo por ele; muitas vezes me pergunto por qual motivo ele está em minha vida.
 

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