sexta-feira, 30 de maio de 2014

O significado dos sonhos - Part. 1

  Como a psicologia, a neurociência e as religiões analisam as mensagens que vem à tona durante o sono e por que interpretá-las corretamente é fundamental para melhorar a sua vida.

  Sonhos podem ser interpretados de muitas maneiras, dentro das mais variadas crenças, culturas, filosofias, religiões e linhas científicas. Mas ninguém estudou tão profundamente o assunto quanto o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Para desvendar os mistérios do sonho, ele recorria aos símbolos universais do que chamou de "inconsciente coletivo". Uma cobra, por exemplo, pode significar morte, cura ou transformação.
   Médicos neurologistas defendem que as imagens que povoam a mente das pessoas durante o sono são, muitas vezes, resultado de percepções e de memórias antigas que vêm à tona e se encaixam. Isso explicaria os sonhos que parecem trazer soluções para a vida real como a história do físico alemão Albert Einstein, que concluiu a Teoria da Relatividade depois de um cochilo.
 "Nós nos iludimos no dia-a-dia, trabalhamos com o que e quem não gostamos, temos que nos enquadrar nos padrões da sociedade. Os sonhos ajudam a mostrar quem somos na essência, são um caminho para o auto-conhecimento, para a nossa verdade mais profunda", afirma Kwasinski.
   Segundo os métodos do curso Os Sonhos e a Jornada do Herói, ministrado na Universidade católica de São Paulo (PUC- SP), o herói, personagem principal do sonho, é sempre a pessoa que está sonhando e a experiência onírica é dividida em três partes. Para começar, apresenta-se um ambiente e uma situação, como nas primeiras imagens de um filme. A seguir, desenvolve-se um enredo, o vilão (chamado de Sombra) se manifesta, os personagens definem seu papel na história (como os arquétipos de Jung e Campbell) e o herói inicia um caminho de conflitos, provocações - e cheio de pistas. Na última seção, acontece o grand finale: Respostas são oferecidas e a trama é concluída. A psicóloga suíça Marie Louise Von Fraz, uma das maiores colaboradoras e defensoras das ideias de Jung, dizia que a última frase de um sonho merece uma atenção especial, pois é na interpretação dela que reside a chave para a solução do enigma. "O sonho é uma simulação do futuro possível com base no passado conhecido", resume Sidarta Ribeiro, neurocientista e diretor científico do Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lili Safra, em Natal, Rio Grande do Norte.
 
Detectar e classificar os personagens que aparecem nos sonhos é o primeiro passo da interpretação. Reconhecer o sábio, os aliados, a cara metade do sexo oposto, o mensageiro, o rival e seus comparsas torna possível a compreensão das atitudes de cada um deles. Pode ser mais difícil do que parece, pois não necessariamente todo sonho será povoado por todos esses arquétipos - que também podem estar representados por símbolos abstratos, em vez de pessoas. Mapeado quem é quem na história, devem-se analisar o enredo em si e suas particularidades (tempo, espaço, situações), para desvendar a aventura proposta e os meios de realizá-la. A jornada do herói é bem sucedida quando ele conquista seu objetivo e, mais do que isso, acumula conhecimentos valorosos para melhorar a própria vida e a dos que estão à sua volta.
  "Interpretar corretamente o próprio sonho ajuda a perceber com o que estamos insatisfeitos para fazer grandes transformações pessoais", diz Kwasinski, que tem mais de três mil sonhos pessoais anotados desde 1983, classificados por épocas e temas, aos quais ele recorre em busca de explicações para o próprio comportamento cotidiano - o pai da psicanálise, Sigmund Freud, definiu o sonho como o caminho real para o inconsciente em uma de suas mais célebres afirmações; "De tempos em tempos, temos sonhos maravilhosos, como as obras primas de muitos artistas, que nos trazem revelações surpreendentes. Decifrá-los é o caminho para compreendermos melhor nossos desejos e a nós mesmos", completa o professor.

  Manter um diário é fundamental para uma análise profunda de seus significados. O hábito permite traçar um panorama dos sonhos mais recorrentes ao longo da vida para tentar entender a mensagem contida neles, assim como identificar os verdadeiros temores por trás dos grandes pesadelos.  Para tanto, o sonho deve ser anotado. Assim que se acorda. Um despertar tranquilo ajuda a lembrar de detalhes e pessoas envolvidas. "Todo mundo sonha. Mas aquelas pessoas que acordam com o barulho de um despertador e saem correndo da cama para tomar um banho ou preparar o café da manhã inibem a liberação de noradrenalina, que são neurotransmissores auxiliares da manutenção da memória. Como a noradrenalina não é liberada durante do sono, é importante dar um tempo para que isso ocorra nos primeiros momentos desperto", diz Ribeiro. O neurocientista recomenda também que uma auto-sugestão seja feita antes de dormir - ou seja, cada um deve reafirmar para si mesmo o desejo de sonhar durante o sono.

  Leia a segunda parte do post.

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