domingo, 13 de abril de 2014

Não brinque com o diabo!

  Quem me conhece, sabe que, para mim, não é algo incomum ver, ouvir ou sentir espíritos. Eu deveria estar acostumada a isso, mas confesso que, não é fácil lidar com isso, que não é fácil não sentir medo. Talvez, algum dia eu me acostume a isso. Mas, enquanto este dia não chega, vou sofrer muito com estas "coisas".

   Em uma noite como outra qualquer, eu estava de bobeira na internet. Procurando algum ebook grátis para baixar, quando encontrei um em especial que chamou a minha atenção. Não me lembro do nome do ebook, mas ele falava sobre demônios e satanismo. Não tenho medo do diabo (não como a maioria das pessoas) e sempre achei ridículo toda esta besteira de missa negra e diabo-a-quatro. Aproveitei para zoar com a minha mãe porque ela é uma bruxa que trabalha com as forças das trevas. Ela começou a dizer que Maria Padilha e uns outros tantos, que eu nem fiz questão de decorar os nomes, eram os melhores, que a magia negra era isso e aquilo. Eu logo discordei. Disse que Maria Padilha não era de nada e que Hécate, Morrigan e Vênus davam de dez a zero em cima dessa tal fulaninha. Ela me advertiu para não desrespeitar as crenças e as entidades dela, eu dei de ombros e rindo. E disse que se essa Maria Padilha era tudo isso, eu queria ver com meus próprios olhos. Minha mãe me ignorou e me deixou sozinha no quarto. Pesquisei mais um pouco e quando achei uma invocação de satã, decidi que iria zoar a minha mãe outra vez. Fui até a janela do quarto e olhei para o jardim para ver se minha mãe estava no jardim. Ela estava em cima de uma escada olhando a rua, por cima do muro. Eu disse a ela que tinha achado algo que ela iria gostar muito. Ela virou a cabeça, olhando para o outro lado da rua. Não me respondeu. Saí do quarto e fui até o jardim. Enquanto caminhava até ela e passava pela Brígida (o nome que eu dei a árvore aqui de casa), via perfeitamente sua cintura e suas pernas.
- Mãe, você não adivinha o que eu encontrei?! - Disse eu ao passar pela árvore e parar em frente a escada.
   Ao parar em frente a escada, eu fiquei paralisada de medo. Acho que normalmente eu teria gritado, mas minha surpresa foi tanto que eu levei alguns minutos para me mexer. Não havia ninguém na escada! Saí correndo e chorando. Gritei por minha mãe quando entrei na casa. Ela veio da cozinha e perguntou o que estava acontecendo. Eu disse a ela que havia visto ela no jardim, mas antes que eu pudesse me aproximar dela, ela sumiu. Disse a ela que achava que havia visto o diabo ou talvez uma elfa que assumira a forma dela. Minha mãe sorriu e disse assim:
- Nada disso. O que você viu foi ELA! Te disse para não brincar com ela, não te disse? Agora você acredita nela?
  Eu fui para o quarto, perturbada. Apaguei o maldito ebook e, decidi que não iria mexer com demônios tão cedo.
   Hoje, eu prefiro acreditar que aquela mulher era uma elfa que sempre se apresenta a mim na forma de minha mãe. Seu nome é Heather e eu a vejo em meus sonhos recorrentes. Só então eu entendi que ser assombrada nos sonhos nem se compara a ser assombrada acordada.


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