sábado, 11 de janeiro de 2014

Bruxaria se faz em família


  Nem todo sabe, mas eu venho de uma família de bruxas. Diferente da maioria das pessoas que tem de esconder suas crenças e realizar suas práticas ocultas em segredo, eu nunca precisei fazer isso. Pois, minha mãe e minha avó sempre foram bruxas. Cresci vendo elas fazerem feitiços, tanto de magia branca quanto de magia negra. Digamos que eu seja uma bruxa estranha para a minha família, já que escolhi ser wiccana em uma família onde os bruxos seguem a magia negra.
   Minha mãe, minha avó, uma tia e um tio seguem a Umbanda Da Esquerda.
Atualmente, minha mãe está ingressando no Espiritismo. No entanto, ela ainda pratica a Umbanda.  Minha avó se tornou evangélica, mas nem por isso, abandonou a bruxaria. E, graças a mim, está conhecendo a wicca. Ela montou um altar para os duendes. Eu fiquei encantada! Minha mãe, por sua vez, fez um altar para Maria Padilha. Mesmo cada uma seguindo caminhos diferentes na magia, nos apoiamos e procuramos sempre fazer o bem para os outros. Claro que, isso nem sempre é fácil para bruxas que estão acostumadas a pagar os outros sempre na mesma moeda (no caso, minha avó e minha mãe), mas com um pouquinho de paciência e alguns conselhos, eu consigo fazê-las raciocinar e não agirem por impulso.
    Minha avó, em especial, é uma bruxa que eu temo, admiro e respeito. Já vi ela causar grande estrago na vida de pessoas que de uma forma ou outra a fizeram mal. Basta que ela abra a boca e rogue uma praga para ferrar feio com qualquer pessoa!
   Minha mãe não é tão talentosa quanto minha avó, mas ainda assim, é uma grande bruxa! E sempre me apoiou em meu caminho mágico. Aliás, foi ela quem me apresentou à Wicca quando eu tinha oito anos de idade e me deu meu primeiro livro de magia, de Eddie Van Feu.  Minha mãe sempre sai comigo para me ajudar a comprar incensos, ervas, cristais e livros de magia. Ela me ensina o que sabe e eu ensino o que sei a ela!
    Acredito que nunca teria conseguido chegar aonde cheguei sem o apoio de minha mãe. Tudo o que sei de wicca aprendi sozinha, mas com o apoio de minha mãe.
   O motivo deste post é justamente mostrar aos outros que (pensam que sabem tudo a meu respeito apenas porque conhecem meu nome) eu sempre tive o apoio da minha família. Muita gente segue a wicca sem que sua família tenha conhecimento sobre isso. Eu não! E mesmo que fosse o contrário, eu tenho 21 anos. Tenho idade o bastante para escolher o que fazer ou não da minha vida e isso não é problema de ninguém!
    Acredito que, quando a magia é passada de mãe para filha, é algo natural. Você não se sente culpada por adorar outros deuses ao invés do deus cristão.
   Tem pessoas que dizem que eu devo honrar a deus pelo sacrifício de seu filho Jesus. Eu entendo esse sacrifício, mas se é para falar de sacrifício, não devemos esquecer das centenas de pessoas que foram torturadas por inquisidores e queimadas vivas por acreditarem que havia algo há mais entre o céu e o inferno. Será que o sacrifício dessas pessoas pela magia não significa nada, não vale nada? E quem sempre perseguiu o nosso povo foi justamente essa gente que tenta nos obrigar a adorar o seu deus impiedoso e injusto. Eu tomei partido da dor e da discriminação que todas as bruxas enfrentaram ao longo dos séculos quando me tornei uma wicca. Portanto, é impossível ficar indiferente ao banho de sangue que a Igreja derramou. Sangue de nossas ancestrais, que morreram por reverenciar as forças da natureza e seus deuses. Ninguém tentou entender o ponto de vista delas. Veja bem, o paganismo é anterior ao Cristianismo e ao Catolicismo. As bruxas não estavam prontas para trocar a sua religião assim da noite para o dia. Da mesma forma que os católicos e outros religiosos não estão prontos para trocar a sua religião pela wicca. Quando crescemos acreditando em algo que é dito superior e absoluto, dificilmente, ao longo de nossas vidas, mudamos nosso ponto de vista. Pois, duvidar é proibido. É como naquele filme "Clube Da Luta" (com Brad Pitt), questionar é proibido!
     Na wicca, aprendemos a questionar tudo. E isso é que nos faz crescer!
E veja como são as coisas, os evangélicos acreditam em Apocalipse, céu e inferno.
Os católicos (gosto da visão deles) acreditam que a pessoa é julgada logo ao morrer, indo para o céu ou para o inferno. Também há um lugar para onde vão as almas das crianças não batizadas e das pessoas que não foram más, nem boas.
  Já o espiritismo e a wicca acreditam em reencarnação. Ora, se acreditamos em reencarnação, não acreditamos em inferno! Não vamos para o inferno! Então, não adianta tentarem me amedrontar, dizendo que vou para o inferno porque eu não acredito nisso. Aliás, eu rio disso!
    Como alguns de vocês sabem, tenho irmão que é naturalmente um bruxinho. Ainda acho cedo para ensinar a wicca a ele, mas logo logo, ele será um bruxo de verdade. Porque a magia não morre na minha família!

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