sábado, 5 de outubro de 2013

Os elfos e o sapateiro




    Era uma vez um sapateiro que era bastante trabalhador e muito honesto, no entanto não conseguia ganhar o suficiente para viver e, finalmente perdeu tudo o que possuía no mundo, com exceção de couro suficiente para fazer um par de sapatos.
Então, o sapateiro cortou o couro, deixando tudo preparado para o dia seguinte, pretendendo levantar-se logo pela manhãzinha e continuar o trabalho. A sua consciência estava clara e o seu coração leve apesar dos problemas; assim, foi pacificamente para a cama, deixando tudo ao cuidados dos Céus, e adormeceu rapidamente. Na manhã seguinte, após ter feito as suas orações, sentou-se e preparou-se para começar o trabalho quando, para grande surpresa sua, ali estavam os sapatos já feiros, em cima da mesa. O bom homem não sabia o que fazer ou pensar perante tão estranho acontecimento. Observou o trabalho feito e, não havia um único erro, tudo era tão puro e verdadeiro... era uma verdadeira obra de arte.
No mesmo dia apareceu um cliente, e os sapatos serviram-lhe tão bem que até pagou mais do que o preço pedido.. E o pobre sapateiro, com o dinheiro, comprou couro suficiente para fazer dois pares de sapatos. Ao anoitecer cortou o couro e foi para a cama cedo, de forma a puder levantar-se cedo e começar o trabalho logo pela madrugada. Mas foi-lhe poupado o trabalho, pois na manhã seguinte este já se encontrava pronto. Depressa vieram clientes, que lhe pagaram generosamente pelos sapatos, de forma que o sapateiro pôede comprar couro suficiente para quatro pares de sapatos. Mais uma vez preparou o material na noite anterior e encontrou os sapatos prontos na manhã seguinte, como anteriormente. E assim continuou durante algum tempo, o que estava preparado na noite anterior estava pronto ao amanhecer e o bom homem começou a prosperar, passando a ficar numa situação confortável.

Numa noite, perto do Natal, enquanto o sapateiro e a sua esposa se encontravam a conversar em frente ao lume, ele disse para ela, "Eu gostava de ficar acordado esta noite, e ver quem vem e faz o meu trabalho por mim". A mulher gostou da ideia. Então, deixaram uma vela acessa e esconderam-se num canto do quarto, atrás de um cortinado, e observaram o que iria acontecer.
Logo que chegou a meia-noite, vieram dois pequenos anões nus e sentaram-se no banco do sapateiro e, começaram a brincar com os seus pequenos dedos, costurando e batendo a uma tal velocidade, que o sapateiro estava maravilhado e não conseguia tirar os olhos deles. E assim continuaram, até o trabalho estar completo, e os sapatos estarem prontos para uso, colocando-os em cima da mesa. Isto foi muito antes do amanhecer, e apressaram-se a sair tão depressa quanto o acender de uma luz.

No dia seguinte a mulher disse para o sapateiro, "Estas duas pequenas criaturas fizeram-nos ricos, nós deveríamos estar-lhes gratos e fazer-lhes uma boa mudança, se conseguirmos. Custa-me vê-los a andarem assim, e de facto não é muito decente, pois não têm nada sobre as costas para os proteger do frio. Vou-te dizer que mais, vou fazer-lhes uma camisa para cada um casaco, um colete e um par de calças, e tu fazes-lhes um pequeno par de sapatos.
O pensamento agradou muito ao sapateiro, e numa noite, quando todas as coisas já se encontravam prontas, eles colocaram-nas sobre a mesa, em vez do trabalho de couro como costumavam fazer e foram esconder-se, para ver o que os pequenos elfos faziam.
Chegaram por volta da meia-noite, dançando e fazendo cambalhotas , saltando ao redor da sala e depois foram-se sentar para fazer o seu trabalho, como de costume, mas quando as roupas estendidas em cima da mesa, para eles, os alegres elfos riram-se e gargalharam e pareceram deveras agradados.

Então, vestiram-se num piscar de olhos e dançaram e saltarm, tão alegremente quanto podiam, até que saíram, dançando, até ao jardim verde do exterior.
O bom casal nunca mais os viu, mas desde então tudo correu bem para eles enquanto viveram.



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